sexta-feira, 3 de outubro de 2025

A IMPOSSIBILIDADE NATURAL DE OCULTAR SENTIMENTOS

MICROEXPRESSÕES FACIAIS

 por Heitor Jorge Lau

            As microexpressões são movimentos faciais rápidos, involuntários e sutis que refletem a emoção genuína que uma pessoa está sentindo no momento, mesmo que ela esteja tentando ativamente esconder ou reprimir essa emoção.

            - Duração: elas são extremamente breves, geralmente durando entre 1/15 e 1/25 de segundo. Essa velocidade é o que as torna imperceptíveis para a maioria das pessoas que não têm treinamento específico.

         - Involuntárias: elas são um reflexo direto do processamento emocional no cérebro, manifestando-se de forma crucial e automática na face.

            - Universalidade: o psicólogo Paul Ekman demonstrou que as microexpressões associadas a sete emoções universais são as mesmas em todas as culturas: felicidade, tristeza, raiva, surpresa, medo, desprezo e nojo.

            O processamento inconsciente pelo cérebro

            O cérebro do ser humano está constantemente analisando esses sinais, mesmo que a mente consciente não os registre.

            - Emissão do sinal (inconsciente): o cérebro da pessoa com quem se está conversando, por exemplo, ao processar uma emoção (como um breve alerta de perigo ou um sentimento de aversão), envia um sinal motor involuntário para os músculos faciais dela. Isso resulta na microexpressão, que dura apenas um instante.

            - Captação do sinal (inconsciente): os olhos do outro interlocutor captam essa mudança ultrarrápida. Essa informação visual é transmitida ao cérebro e, crucialmente, ela pode seguir uma via de processamento não consciente ou subcortical.

            - Ação e reação automática: áreas do cérebro, como a amígdala (envolvida no processamento de emoções, especialmente o medo e o alerta), podem detectar e reagir a essa microexpressão (por exemplo, de medo ou raiva) de forma automática. Isso acontece muito antes de a informação chegar ao córtex cerebral, a parte responsável pela consciência e pelo pensamento racional.

            O resultado é que o inconsciente pode receber o "alerta de perigo" ou a "sensação de conforto" transmitida pela microexpressão da outra pessoa, influenciando a primeira impressão, o nível de confiança ou a resposta emocional à conversa, mesmo que não se consiga dizer o fator motivacional do sentimento provocado. Em essência, a intuição ou aquele "sentimento de instinto" ao interagir com alguém é frequentemente (ou quase sempre) o cérebro inconsciente processando rapidamente uma montanha de sinais não verbais, incluindo as imperceptíveis microexpressões faciais. Portanto, se der vontade de sair de “fininho”, saia! Afinal, o cérebro é quem manda nas emoções.


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