Essa
fotografia não expressa apenas um gato deitado na grama. Demonstra um fragmento
da história da nossa casa, um companheiro que participou silenciosamente dos
dias comuns — e são justamente esses dias que mais deixam marcas quando eles
partem. Há uma característica muito bonita nos gatos que conviveram
verdadeiramente conosco: eles transformam a rotina em presença. Não precisam de
grandes demonstrações. Estão ali enquanto lemos um livro, escrevemos um texto,
caminhamos pelo quintal ou simplesmente observamos a tarde passar. E quando já
não estão, percebemos que ocupavam um espaço muito maior do que imaginávamos.
A
fotografia não descreve apenas o Boininha em vida. Descreve também a memória
dele. Porque os animais que amamos continuam nos acompanhando de uma forma
diferente. Deixam de caminhar ao nosso lado pelos corredores da casa, mas
permanecem caminhando pelas lembranças que construíram conosco. A natureza não
é feita apenas de paisagens e árvores. Ela também é feita desses encontros que
a vida nos oferece e que, mesmo depois da despedida, continuam florescendo
dentro de nós.
por Heitor Jorge Lau

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